“A Vida de Pi” de Yann Martel

O livro de Yann Martel “A Vida de Pi” conta-nos a história de um jovem cidadão indiano cujos pais partem para o Canadá em busca de uma nova e melhor vida. Mas as coisas correm mal e Pi fica num bote no meio do oceano pacífico apenas com a companhia de alguns animais. A Vida de Pi

Vejo em “A Vida de Pi” os pilares fundamentais do existencionalismo retratados. Tal como a ênfase na responsabilidade do homem sobre o seu destino e no seu livre-arbítrio.

O facto de Pi ter procurado conhecimentos em 3 religiões diferentes e se considerar das 3 religiões assentam nas palavras de Kierkegaard – “o cristianismo e a fé em geral são irracionais, provar a existência de uma única e suprema entidade é uma atividade inútil” e Nietzsche – “provar a existência de um criador não era possível nem importante”. Pi seria das 3 religiões precisamente pelo facto de entre as 3 não conseguir provar qual delas seria a única e suprema e de provavelmente por pensar que isso também não era importante.

O existencialismo representa a vida como uma série de lutas. O indivíduo é forçado a tomar decisões; frequentemente as escolhas são ruins. Pi sem dúvida debateu-se com uma grande luta pela sobrevivência e teve que tomar decisões que não seriam do seu total agrado, mas tomou-as segundo a razão, senão não teria conseguido sobreviver.

Ao ficar um naufrago num bote no meio do oceano Pi fica totalmente livre da sociedade, assim Pi comprova a ideia existencialista de que temos peso da responsabilidade de sermos totalmente livres. E, frente a essa liberdade de eleição, o ser humano se angustia, pois a liberdade implica fazer escolhas, as quais só o próprio indivíduo pode fazer. Muitos de nós ficamos paralisados e, dessa forma, nos abstemos de fazer as escolhas necessárias. Porém, a “não ação”, o “nada fazer”, por si só, já é uma escolha; a escolha de não agir. A escolha de adiar a existência, evitando os riscos, a fim de não errar e gerar culpa. Arriscar-se, procurar a autenticidade, é uma tarefa árdua, uma jornada pessoal que o ser deve empreender em busca de si mesmo. Se Pi não tivesse esta atitude morreria.

O final do livro relaciona-se com a noção existencialista do absurdo, que contém a ideia de que não há sentido a ser encontrado no mundo além do significado que damos a ele.

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Análise com citações, contém alguns spoilers

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