“Acácia – Ventos do Norte” de David Anthony Durham

Acácia – Ventos do Norte é o livro 1 de uma coleção de 6. Originalmente uma trilogia, a editora Saída de Emergência decidiu dividi-lo em 6 volumes.

capa Ventos do Norte
Gostei bastante do “Mundo Conhecido” criado por David Anthony Durham, ao contrário do que acontece na maioria dos livros de fantasia, este mundo conhecido é muito semelhante ao nosso, pelo menos não existem sinais de humanoides como orcs, trolls, trollocs, Myrddraal, whitewalkers, necromancers ou semelhantes. A única raça diferente são os numreks, que fisicamente são descritos como mais altos, mais fortes fisicamente e pele mais pálida que o resto dos humanos que habitam o Mundo Conhecido.

Mapa do Mundo Conhecido

Mundo Conhecido
Li muitas criticas a referir este livro como cliché, quase descrito como sendo uma imitação de “A Song of Ice and Fire”. Eu achei “Acácia” bastante diferente, por não ser um livro dominado pela magia, pelo menos não foi referido neste primeiro livro que alguma das personagens tivesse poderes especiais tal como acontece em “A Song of Ice and Fire” em que várias personagens principais possuem poderes especiais, como é o caso dos Targaryen e das crianças Stark.
Na capa está escrito: “Uma saga que combina a ambiguidade moral e a brutalidade da obra de George R R Martin”, depois de ter lido o livro cheguei à conclusão de que esta frase não é mais do que uma manobra de marketing. Apesar de a ambiguidade moral e a brutalidade terem uma presença forte em “Acácia”, esta obra é bastante diferente da de George R R Martin e quem gosta de “A Song Of Ice And Fire” poderá não gostar de “Acácia”.

Principais personagens de Acácia

ACACIA_Wallpaper_personagens
É um livro que se foca na política e intriga e não nas batalhas, o que poderá constituir uma leitura monótona para alguns. É um livro que apela muito à razão, durante a leitura de “Acácia” dei por mim a fazer várias comparações com o que se passa neste mundo. Li Acácia e pensei – “mas que mundo mais violento e desigual que é este Mundo Conhecido”, um império dominado pelo tráfico de droga e de crianças, nações em patamares muito diferentes de desenvolvimento e culturas pouco ou nada semelhantes e claro a eterna luta pelo poder que originam as guerras e uma organização que tem mais poder que todos os reis. Penso melhor e faço uma analogia com este mundo e infelizmente o que se passa em Acácia passou-se no passado e passa-se actualmente no nosso planeta Terra – tráfico de droga, crianças raptadas (mulheres e homens também), temos o caso que se fala nos últimos tempos: que crianças trabalham em minas no Congo e outros países africanos, para que os ocidentais e as suas crianças mimadas tenham smartphones e tablets ao menor preço possível, e claro as guerras que estão sempre a acontecer em algum canto deste globo multicultural em que enquanto uns vivem de abundância, deitam toneladas de alimentos ao lixo e queixam-se de crise muitos outros passam  fome e frio. A foto em baixo não é de Acácia, é deste mundo, decidi colocar neste post para alertar para esta triste realidade.

Crianças a trabalharem nas minas do Congo, uma realidade que não é exclusivamente Acaciana, infelizmente é deste planeta Terra. Reportagem em The Price of Precious, pela National Geographic.

Gostei bastante do livro, e fiquei empolgado a ler o resto da coleção, espero que David Anthony Durham não decepcione e que escreva mais sobre o Mundo Conhecido.

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“A Vida de Pi” de Yann Martel

O livro de Yann Martel “A Vida de Pi” conta-nos a história de um jovem cidadão indiano cujos pais partem para o Canadá em busca de uma nova e melhor vida. Mas as coisas correm mal e Pi fica num bote no meio do oceano pacífico apenas com a companhia de alguns animais. A Vida de Pi

Vejo em “A Vida de Pi” os pilares fundamentais do existencionalismo retratados. Tal como a ênfase na responsabilidade do homem sobre o seu destino e no seu livre-arbítrio.

O facto de Pi ter procurado conhecimentos em 3 religiões diferentes e se considerar das 3 religiões assentam nas palavras de Kierkegaard – “o cristianismo e a fé em geral são irracionais, provar a existência de uma única e suprema entidade é uma atividade inútil” e Nietzsche – “provar a existência de um criador não era possível nem importante”. Pi seria das 3 religiões precisamente pelo facto de entre as 3 não conseguir provar qual delas seria a única e suprema e de provavelmente por pensar que isso também não era importante.

O existencialismo representa a vida como uma série de lutas. O indivíduo é forçado a tomar decisões; frequentemente as escolhas são ruins. Pi sem dúvida debateu-se com uma grande luta pela sobrevivência e teve que tomar decisões que não seriam do seu total agrado, mas tomou-as segundo a razão, senão não teria conseguido sobreviver.

Ao ficar um naufrago num bote no meio do oceano Pi fica totalmente livre da sociedade, assim Pi comprova a ideia existencialista de que temos peso da responsabilidade de sermos totalmente livres. E, frente a essa liberdade de eleição, o ser humano se angustia, pois a liberdade implica fazer escolhas, as quais só o próprio indivíduo pode fazer. Muitos de nós ficamos paralisados e, dessa forma, nos abstemos de fazer as escolhas necessárias. Porém, a “não ação”, o “nada fazer”, por si só, já é uma escolha; a escolha de não agir. A escolha de adiar a existência, evitando os riscos, a fim de não errar e gerar culpa. Arriscar-se, procurar a autenticidade, é uma tarefa árdua, uma jornada pessoal que o ser deve empreender em busca de si mesmo. Se Pi não tivesse esta atitude morreria.

O final do livro relaciona-se com a noção existencialista do absurdo, que contém a ideia de que não há sentido a ser encontrado no mundo além do significado que damos a ele.

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Análise com citações, contém alguns spoilers