Dicas Para Se Viver Feliz #4 – Apreciar a solidão

Vivemos numa sociedade que fomenta a extroversão, assim somos expostos ao risco de acumularmos experiências das quais não retiramos proveito. Para vivermos sem stresses é preciso encontrarmos o equilíbrio entre os momentos de convívio e os momentos de solidão.
É necessário dedicarmos algum do nosso tempo em atividades solitária como leitura, escrita, meditação, música, desenho, etc..

É preciso também não ter medo da solidão, se nos apetece dar aquele passeio ou fazer aquela viagem vamos deixar de o fazer só porque ninguém estava disponível para ir connosco? Não, se queremos fazê-lo, o facto de irmos sem companhia de certeza que se tornará numa melhor experiência do que se não o fizermos só porque não havia ninguém para nos acompanhar.

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É nisto que se reflete o espírito e valor da praxe…

Quase uma semana depois de ter sido noticiada mais uma praxe abusiva e de eu ter lançado o artigo “Estão a Educar “Chimpanzés”!?”, eis que surge uma notícia a divulgar que também se fazem praxes “sociais” com o intuito de se ser solidário.

Se dizem que a praxe é uma forma de integrarem os caloiros nas faculdades, então nada melhor do que englobar práticas que visam o trabalho em equipa para beneficiar uma comunidade ou a sociedade, como as que foram relatadas na notícia da TVI24 – pintar muros, apanhar batatas para o banco alimentar, recuperação de mobiliário urbano, tratar de flores e vegetação, entre outras. Aqui sim, residem bons valores, estimulam os caloiros a serem solidários, a aprenderem a trabalhar em equipa e a sentirem-se valorizados com a gratidão que receberão pelo trabalho prestado. Porque vai ser isto que vão esperar deles quando tiverem formados – que contribuam para um mundo melhor e se possível que deixem a sua marca.

praxes sociais

Pode ser que as notícias das praxes abusivas alertem as faculdades e as suas reitorias para que o conceito de “praxes sociais” passe a ser o conceito de praxe. Porque atualmente o conceito de praxe parece-me ser baseado no conceito fascista da subserviência, em que os mais novos têm que obedecer aos mais velhos e sujeitarem-se às humilhações que os mais velhos exigem para que estes sejam integrados na faculdade. Felizmente depois de tantos anos no conceito de subserviência parece que estão a acontecer pequenas mudanças. Um bem haja à Faculdade de Economia da Universidade Católica por ter sido pioneira em entregar o conceito social e de solidariedade nas praxes.

Leiam o artigo da TVI24

Estão a educar “chimpanzés”!?

Este texto foi inspirado e vem a respeito de mais uma notícia de praxes abusivas. A tal que consistiu em enterrar caloiros na areia e depois “afogá-los” em álcool. Que resultou numa jovem a ter que ser levada para o hospital inconsciente. Uma prática completamente irracional e que não se espera de jovens adultos que estão prestes a ingressar no mercado de trabalho. Onde se espera que eles sejam racionais, competentes, eficazes e sobretudo que não façam coisas estúpidas. E quando falo em irracional quero referir-me aos que praxaram que deveriam perceber que o que fizeram era abusivo e podia acabar mal, e aos praxados que não tiveram capacidade de dizer não e alinharam numa situação completamente disparatada.

Garrafas encontradas no local onde ocorreu a praxe.

Garrafas encontradas no local onde ocorreu a praxe.

A conclusão que eu obtive desta notícia é que se anda a educar “chimpanzés” em pleno séc. XXI – a era da informação e da tecnologia acessível para a maior parte da população dos países desenvolvidos.

Para mim o comportamento destes alunos é sinónimo de que a educação está mesmo muito mal, as escolas, definitivamente que não a dão. Os pais que sempre foram os grandes responsáveis da educação cada vez têm menos tempo para as oferecer e assim as crianças são educadas com os computadores, tablets, televisão e uma escassa minoria por livros.

Quando falo em educação refiro-me sobretudo ao conjunto de regras e saberes que tornam uma pessoa capaz de usar com eficácia a sua mente racional e de se saber comportar na sociedade tornando-se cidadãos com valor numa sociedade.

Eu falo isto porque também sinto que me educaram como um “chimpanzé” quando frequentei o ensino. Era tomem lá esta matéria, têm que saber isto, eu estudava, chegava à altura dos testes ou exames mostrava  aquilo que tinha aprendido e quando me esforçava tinha boa nota, quando não me esforçava tinha uma má nota. E assim lá fui passando de ano em ano. Até que chegou a altura em que me disseram – “agora podes ser isto (profissionalmente)”, e lá fui eu com o meu diploma procurar um emprego. É também um sistema de etiquetas, onde se rotulam os alunos de espertos e burros – completamente errado.

Foi em 1995 que Daniel Goleman publicou uma das maiores obras no campo da psicologia – “Inteligência Emocional”. Uma obra que resulta de anos de estudo e experiências na psicologia e educação. Que concluiu que a inteligência emocional contribui muito mais para o sucesso de um indivíduo do que o quociente de inteligência. 20 anos depois os sistemas educativos do mundo ainda não se resolveram a aplicar esta verdade.

Na minha opinião o que falta ao sistema educativo é incutir valores nos estudantes para que eles se tornem racionais, para que a mente primata que por vezes assola o ser humano deixe de comandar as atitudes e decisões. É preciso incutir os conceitos de ética e responsabilidade para que situações como esta deixem de acontecer. Muita gente parece não conseguir discernir o que é certo ou errado.

O caminho tem sido transmitir conhecimento em pacotes de dados, os alunos aplicam-no num teste e passados uns tempos já não sabem nada do que aprenderam porque a memória do ser humano é limitada. Se se seguir o caminho de moldar e otimizar a personalidade dos alunos mantendo as diferenças de carácter, isso será uma educação que prevalecerá pois não é algo que se memorize, é algo que é cultivado e faz crescer os indivíduos enquanto seres racionais.

Leituras sugeridas relacionadas com psicologia e educação:

Inteligência Emocional de Daniel Goleman

O Paradoxo do Chimpanzé de Steve Peters

Mindset de Carol Dweck

Nunca se Sabe o que é Bom nem o que é Mau.

Li uma história bastante filosófica no livro “Inteligência Positiva” de Shirzad Chamine  que vou partilhar agora aqui no blog. Pois esta simples história transmite uma noção clara de que nunca se consegue definir o que é bom nem o que é mau, porque a vida é uma sucessão de acontecimentos em que um acaso mau pode levar a uma mudança boa na vida num futuro próximo, e uma mudança que poderá parecer boa para a nossa vida pode levar a um grande desastre invertendo assim aquilo que se pensava que era bom.

O título é:

A História do Cavalo de Padreação

Um velho agricultor vive na sua quinta com um filho adolescente, possui um belo cavalo de padreação, do qual cuida com toda a dedicação e afinco.
A certa altura, o agricultor leva o seu cavalo ao concurso da feira anual de gado da sua região, e o animal arrebata o primeiro lugar. Os vizinhos do agricultor reúnem-se para o felicitarem pela sua vitória. Numa voz pausada, o agricultor comenta:
– Nunca se sabe o que é bom ou o que é mau.
Desconcertados com a reação, os vizinhos vão-se embora.
Na semana seguinte, o cavalo é roubado por um grupo de larápios que ouvira falar do preço avultado do cavalo campeão. Os vizinhos tornam a aparecer, com o propósito de expressar a sua solidariedade. Mais uma vez encontram o agricultor impávido e sereno. Eis as suas palavras:
– Nunca se sabe o que é bom ou o que é mau.
Dias depois, o cavalo premiado põe-se em fuga e retorna ao seu dono, desta feita por umas quantas éguas que cativou pelo caminho. Mais uma vez os vizinhos aparecem, empolgados, para congratular o velho agricultor, e este, mais uma vez, vaticina:
– Nunca se sabe o que é bom ou o que é mau.
Na semana seguinte é decretada uma guerra, e o exército imperial dá entrada na aldeia com a missão de recrutar todos os homens jovens e saudáveis. Devido à condição em que o filho do agricultor se encontrava após o incidente com a égua, é poupado à guerra. Daquela vez, porém, os vizinhos nem se deram ao trabalho de aparecer para felicitarem o ancião, pois já sabiam de antemão que a sua resposta seria: “Nunca se sabe o que é bom ou o que é mau.”

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Um bom livro que explora o mesmo tema é “A Luz Entre Oceanos” da australiana M.L. Stedman, já analisada aqui no blogue.

Afeganistão – a propósito de “E As Montanhas Ecoaram”

O Afeganistão nos anos de 1950 e até à Revolução de Saur (1978) foi uma nação próspera, com uma cultura a aproximar-se com a do Ocidente. Como mostram as fotos no site The Atlantic – In Focus.

A partir de 1978 foram várias as guerras que deixaram o país completamente devastado.

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STOP Phubbing

Você que está a ler este artigo, já deve ter estado em algum sitio com um/a amigo/a ou num grupo de amigos em que uma ou mais pessoas em vez de estarem atentos ao que se está a conversar no grupo estão agarrados ao smartphone, a falar com outra pessoa qualquer (que deverá por algum motivo ser mais importante que as pessoas do grupo), a pôr likes em posts de um amigo qualquer, a comentar com uns LOL, à procura no eBay de qualquer coisa que se lembrou que queria comprar, etc.. Esta prática que descrevo denomina-se “Phubbing” e parece ser um fenómeno (infelizmente) cada vez mais comum. Eu infelizmente já presenciei grupos de pessoas reunidos num café que em vez de estarem a conversar estão agarrados aos seus smartphones ou tablets, e já cheguei mesmo a presenciar casais a praticar “Phubbing”  – sentadinhos numa esplanada ou café a olharem concentradíssimos para os seus smartphones – o que ainda é pior.

phubbingFoi criado um site http://stopphubbing.com/ que alerta para esta prática e onde também está a decorrer uma votação para que se tenha uma noção da quantidade de pessoas a favor e contra o Phubbing – felizmente o Contra está em grande maioria. Mas ainda assim, para uma prática que eu considero sendo de um desrespeito total pela(s) pessoa(s) com quem se está presencialmente, o “a favor” tem uma percentagem bastante elevada.

Phubbing siteVocê que esta a ler este artigo pode achar que o Phubbing é uma prática perfeitamente normal e que não chateia ninguém, é da maneira que o mundo está, e se temos um smartphone e se esse smartphone for um iPhone ou o último modelo do Galaxy ainda mais prazer dá praticar Phubbing perante o grupo de amigos – “já repararam bem na beleza do meu telemóvel que voçês sonham ter e que eu tenho”. Para falar de que não se pode perder as últimas novidades publicadas no facebook, twitter, pinterest, instagram dos nossos amigos. Isto enquanto se está aqui na esplanada com este tempo magnífico – “desculpem lá malta, mas que é que voçês estão a falar, estava aqui no messenger e não apanhei a conversa.”

Se você que está a ler este artigo acha que pratica Phubbing, por favor tente colocar-se no lugar dos seus amigos a conversar sobre um tema qualquer e imagine você a teclar alegremente no seu smartphone enquanto os seus amigos conversam de cara a cara, sorriem uns para os outros das piadas ditas enquanto voçê coloca smiles no messenger.Ainda acha que o seu comportamento é correto?

say noO vício das redes sociais tornou-se viral, e até é comum estar-se numa sala de cinema e verem-se ecrãs de LED a acenderem-se. Neste caso o termo Phubbing não se aplica mas parece-me ser na mesma um comportamento sem sentido e que só mostra o vicio em que os smartphones e as redes sociais se tornaram.

Espero que este artigo faça muita gente refletir sobre o seu uso dos smartphones. Mudar comportamentos que se enraízam  de um modo inconsciente é difícil, mas não é impossível.

Dicas Para Viver Feliz – #3 Deixar de preocupar-se (tanto) com que os outros pensam

É bom sermos emocionalmente inteligentes, precisamos de ter consciência e consideração sobre o que os outros possam pensar sobre nós, mas sem chegar ao ponto que nos impeça de sermos eficazes e originais.

Se se vive constantemente preocupado sobre o que os amigos, família, colegas de trabalho ou até mesmo estranhos pensam de nós, estamos a dispender energias e a perder tempo em algo que nós nunca poderemos saber e a afastar-nos dos nossos objectivos e problemas pessoais.

É preciso sermos claros e honestos connosco sobre aquilo que realmente nos interessa. Com certeza que as outras pessoas julgam-nos por não correspondermos aos padrões deles, mas se formos verdadeiros com os nossos valores e objectivos, aí saberemos que temos as nossas prioridades bem definidas.

O pensamento dos outros – bons, maus ou indiferentes – só lhes pertencem a eles. Aprecie a sua vida ao máximo, não podemos agradar a todos e é excusado tentá-lo. Da próxima vez que se preocupar sobre o que alguém pensa sobre si pergunte-se a si mesmo – podem os pensamentos dessa outra pessoa realmente afectar-me?

Preocupar-se sobre o que os outros pensam de nós pode constituir uma causa de comportamentos superficiais, como o embaraço, oportunidades perdidas, ressentimentos internos, arrependimentos, ou até mesmo amargura.

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Para se viver feliz é preciso aceitar que não se pode controlar o que os outros pensam sobre nós e reconhecer que a sua opinião não nos pode afectar.

Dicas Para Viver Feliz – #02 Criar Metas Atingíveis

Alcançar as metas a que nos proposemos dá-nos uma sensação de bem-estar, de confiança e passamos a acreditar que cada vez podemos ir mais longe. Se ao cumprirmos as metas somos assolados por boas sensações, ao não atingirmos somos afetados por sensações negativas como a frustração. E se os fracassos se repetirem a nossa auto-estima começará a ficar debilitada. Por isso temos que nos negar a cumprir tarefas que sabemos à partida que vamos falhar e focarmos nas que sabemos que podemos cumprir.

Mas definir metas e saber se as conseguiremos atingir ou não, não é tão fácil quanto parece. Existe uma técnica que se designa por “SMART” para nos ajudar.

Specific (Específico) – Ser-se o mais exato possível. Por exemplo, objectivo: “começar a fazer exercício”, dizer isto não chega e muito provavelmente não vai passar de uma ideia porque não se definiu bem o objectivo. É preciso definir qual o exercício ou exercícios, exemplo: jogging 2 x semana x 30 minutos.

Measurable (Mensurável) – Para se ter sucesso é preciso ter um valor de referência. Em vez de dizer “tocar guitarra melhor” dizer “aprender uma música nova por semana”.

Attainable (Atingível) – verificar se o objectivo pode mesmo ser atingido. Não se pode tentar cumprir um objectivo como “poupar €100 por mês” se depois de se pagar as contas sobrarem apenas €80.

Realistic (Realista) – Deve-se estar ciente das capacidades pessoais para atingir o objectivo proposto e estar consciente que ele é mesmo relevante. Por exemplo alguém que gostava de comer doces à sobremesa e que passou a ter como objectivo reduzir a ingestão de calorias, se disser “nunca mais comerei doces à sobremesa” provalvelmente cederá porque vai sentir-se privado de algo que lhe dava prazer, mas se disser “vou substituir o doce por uma peça de fruta” passará para uma realidade mais fácil de atingir.

Timely (Feito a tempo) – Um objectivo tem que possuir um prazo e se o objectivo possuir várias etapas tem que haver um prazo para cada uma das etapas. A não fixação de um prazo pode levar a que um objectivo não se cumpra porque vai-se deixar sempre para amanhã até que se perde a motivação para o cumprir.

Dicas Para Viver Feliz – #01 Auto-Aceitação

Auto-aceitação significa reconhecermo-nos como um indivíduo complexo e aceitarmos aquilo que somos. Não podemos negar quem somos, nascemos com determinadas características e num determinado meio. Para nos aceitarmos temos que conhecer todas as nossas características e saber quais são os nossos pontos fortes e fracos, as nossas virtudes e defeitos, conhecer as nossas potencialidades e fragilidades.

A auto-aceitação determina a nossa auto-estima, que se define, de um modo simplificado, pela medida de quão notáveis nós nos vemos.

Ao auto-aceitação é um aspeto crucial na relação que temos com o nosso eu. E isso não significa que gostamos de todas as nossas características, significa que aceitamos também as características que possuímos e que não gostamos. E saber definir estas características que não se gosta é o primeiro passo para as tentarmos mudar e assim evoluirmos para uma pessoa melhor e sermos cada vez mais felizes. Hoje em dia com o avanço da cirurgia plástica é possível mudarmos muitas das nossas características físicas. Mas estas alterações devem ser bem pensadas, existem casos de pessoas que querem mudar quase tudo, levando-as a uma perda de identidade e a uma insatisfação constante que não contribui para a felicidade.

Guia Para Viver Feliz – parte 1

Neste artigo irei escrever sobre o estado que toda a gente quer alcançar – a felicidade.

Mas será que toda a gente a procura?!

O que é a felicidade?

A felicidade é um estado mental ou emocional de bem estar caraterizado por emoções positivas ou agradáveis ​​que vão desde o contentamento até à alegria intensa.

De onde é que ela vem?

Segundo o Dr. Robert Holden, fundador do Projeto Felicidade “, aqueles que procuram a felicidade muitas vezes não percebem que já a têm”. Estar feliz com nós mesmos não tem a ver com perseguir a felicidade, mas encontrar coisas que nós possamos fazer para ajudar a reconhecer a felicidade.”

Ser feliz é uma escolha que se faz?

Segundo a opinião de diversos cientistas – nós podemos escolher ser felizes.

Nós podemos perseguir a felicidade repulsando as emoções negativas como o pessimismo, ressentimento e raiva. E adotar emoções positivas como a empatia, serenidade e especialmente a gratidão.

Como disse o filósofo Bertrand Russell no seu livro “A Conquista Da Felicidade”, publicado em 1930: “A felicidade não é, exceto em casos muito raros, algo que cai na boca, como uma fruta madura …. A felicidade deve ser, para a maioria dos homens e mulheres, uma conquista e não uma dádiva dos deuses, e nessa conquista , esforço, interior e exterior, devem desempenhar um grande papel. “

Assim que se decidir a ser feliz é necessário definir estratégias para atingir a felicidade.

No próximo artigo escreverei sobre algumas atitudes que podem ajudar a alcançar ou a manter a felicidade.happiness wordpress