“O Marciano” de Andy Weir – Livro e Filme

ScreenHunter

O Livro e o Filme

Esta obra-prima de ficção científica conta-nos acerca de uma expedição a Marte de um grupo de 6 astronautas que durante a exploração e recolha de amostras no “planeta vermelho” é apanhado por uma tempestade. Os ventos fortes fazem com que o MAV (Mars Ascent Vehicle) que é o meio de transporte para sair de Marte e chegar à nave principal, corra o risco de tombar. A comandante Melissa Lewis perante esta possibilidade toma a decisão de abandonar Marte. Mas um astronauta – Mark Watney, o botânico da equipa – não consegue chegar ao MAV.

A equipa de astronautas deixa de receber sinais do Mark Watney nos seus dispositivos e julgam-no morto.

Mark Watney obviamente sobrevive, fica sozinho em Marte e sem possibilidade de comunicar com a Terra. E nesta situação só há uma solução – encontrar forma de se manter vivo até que o consigam resgatar.

A emoção da história está na forma como Mark Watney, de forma engenhosa, vai conseguindo encontrar soluções para ir sobrevivendo contra todas as possibilidades.

O Livro

Outro aspeto que gostei bastante foi sentir que os acontecimentos de “O Marciano” eram possíveis. Geralmente nas obras de ficção científica, tanto da literatura como no cinema, existem montes de acontecimentos em que dizemos que nunca irá ser possível. Neste livro podemos dizer: “esta história poderia ser uma história real num futuro próximo”

O Marciano

O Filme

No filme mudaram o título original “The Martian” para “Perdido em Marte” (não gostei desta tradução), quem vê o filme ou lê o livro percebe que o título “O Marciano” faz mais sentido.
E claro que ouve situações omitidas e mudanças, o final acontece de forma diferente. Eu gostei bastante desta mudança, ir ver um filme em que já sabia a história toda e ver no final uma situação diferente (mais à filme) deixou-me positivamente surpreendido.

Perdido em Marte

A Opinião

Recomendo o livro e o filme a toda a gente. É uma obra de ficção científica que não é só para fãs de ficção científica.

O Trailer

http://www.imdb.com/video/imdb/vi113423129/

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“Dust” de Hugh Howey

Dust capa

“Dust” inicia onde Wool termina, Juliette agora é a presidente do Silo 18 e como tal decide iniciar umas escavações para chegar ao silo 17 e salvar os seus ocupantes, contando sobretudo com o apoio de Lukas que agora é o chefe da informática. Mas nem todos os habitantes do silo são a seu favor.

No silo 1 Donald assume o papel de Thurman (a mente por detrás dos silos, líder do silo 1 e quem controla todos os outros silos) com o intuito de ajudar Juliette e Lukas e tentar perceber o que se passa no mundo fora dos silos. Acorda a sua irmã Charlotte da criogenia, que é piloto de drones, para que esta possa explorar o mundo exterior, com os drones e perceber o que existe lá fora, com o sonho de que talvez o mundo exterior possa ser novamente ocupado.

Mas não será fácil para Juliette e Donald conseguirem os seus objetivos, ambos vão-se debater contra inimigos que os vão tentar deter.

Assim é o fio condutor para uma obra que volta à ação frenética de Wool, com muito drama, muita tensão que prendem o leitor à narrativa e a este mundo.

A única coisa que me desagradou foi o final, em que me deixou com uma sensação – “mas, e agora”? Ou seja, chegamos ao fim de Dust com respostas que não serão respondidas. Há quem goste destes finais em que o resto da história é entregue à imaginação do leitor. Eu pessoalmente prefiro histórias com um grande ponto final. O final de Dust permite a Hugh Howey iniciar uma nova saga com as personagens de Wool, mas parece que isso não acontecerá.

Deixo a transcrição de parte da nota que Hugh Howey deixou no final para perceberem melhor:

This is not the end, of course. Every story we read, every film we watch, continues on in our imaginations if we allow it.

My only wish is that we leave room for hope. There is good and bad in all things. We find what we expect to find. We see what we expect to see. I have learned that if I tilt my head just right and squint, the world outside is beautiful. The future is bright. There are good things to come.

What do you see?”

 

“Shift” de Hugh Howey

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Considero Wool como um dos melhores livros de fantasia que já li, por isso foi com grande entusiasmo que comecei a ler “Shift” a história sobre como tudo começou.

Wool deixou várias questões por responder, que se dividem em dois grupos:

1 – Os dos acontecimentos passados. Como é que tudo isto terá começado? Porque é que a humanidade teve que se refugiar em silos subterrâneos?

2 – Os dos acontecimentos vindouros. Como os habitantes do silo irão reagir à descoberta de Juliette? Como é que Juliette irá resgatar os sobreviventes do Silo 17? Será o Silo 17 novamente colonizado?

Shift responde ao primeiro grupo de perguntas para além de descrever o que se passou no silo 17.

Estava bastante entusiasmado mas fiquei um bocado desiludido porque muitas das partes de Shift são tediosas. Não havia necessidade de se prolongar tanto, Hugh Howey deveria ter eliminado muitas partes e assim aumentar a velocidade da ação da narrativa para prender melhor o leitor. Dei muitas vezes por mim a divagar durante a leitura de Shift, o que não aconteceu em Wool e que geralmente acontece a muitos leitores quando a ação se torna monótona. Quando dava conta a minha cabeça estava a pensar noutras coisas e tinha que voltar atrás para perceber o ponto que tinha começado a divagar e geralmente chegava à conclusão que mais valia não ter relido pois não acrescentava nada de relevante à história.

Se em vez de 600 páginas tivesse 400 teria dado uma melhor avaliação a este Shift. Mesmo assim continua a ser uma boa obra da ficção científica da atualidade, apesar de muitas partes monótonas e de as personagens não serem tão carismáticas como as de Wool.

O próximo volume da saga é “Dust” onde as perguntas do 2º grupo irão ser respondidas.

Quando lancei este artigo nenhum dos livros saiu em Portugal.

“A Passagem” de Justin Cronin

capasUm livro apocaliptico cuja ideia surgiu depois de Iris – a filha de Justin Cronin com 8 anos ter dito ao pai que os livros que ele escrevia eram uma seca. Justin Cronin perguntou então à sua filha o que é que ela gostava que ele escrevesse e ela respondeu-lhe que queria uma história de uma menina que salva o mundo e que tivesse vampiros. Justin Cronin e a filha começaram então a trocar ideias para o desenlace da história e assim surgiu “A Passagem” uma trilogia que terá uma adaptação para o grande ecrã.
Eu soube desta história de ter sido a filha de Justin Cronin a dar a principal ideia para o gênero de história a ser criada, antes de ter lido o livro, o que me deixou bastante surpreendido depois de o começar a ler. Pois a história é violenta e tem algumas partes cujo horror não são nada apropriados para uma miúda de 8 ou 9 anos.
Mas acção é contagiante e ficamos completamente agarrados a este apocalipse. Destaco também as personagens, que são em grande número, estão muito bem construídas e possuem características bem acentuadas, que permitem uma rápida assimilação por parte do leitor e muito dificilmente o leitor as confundirá.


Justin Cronin parece ter-se inspirado em histórias pós-apocalípticas como o “The Stand” de Stephen King, “The Road” de Cormac McCarthy e em Mad Max, adicionou-lhes uma espécie de vampiros e criou um fenómeno literário que cativará sobretudo os aficionados de ficção científica e fantasia. A história também possui a receita necessária para se tornar num blockbuster cinematográfico.

O primeiro livro da trilogia ao ser traduzido para português foi dividido em dois volumes. O livro original na versão de capa mole tem 963 páginas, um livro muito extenso.comprar

Vejam os vídeos promocionais neste canal do YouTube:
http://www.youtube.com/channel/UCYmCC6lAMdHRWOwoF9f5h7w

“Boneshaker” de Cherie Priest

BoneshakerCoverFiquei bastante desapontado com este 1º volume da série “The Clockwork Century”, que ainda não foi traduzido para português, tinha lido boas criticas relativamente a este “Boneshaker”. Mas este desapontamento pode apenas refletir uma questão de gosto pessoal.
Achei o início um bocadinho entediante e pensei muitas vezes em desistir da leitura. Lá para o meio começou a haver mais ação, mais momentos de adrenalina vividos pelas personagens (mas não por mim) que tornaram a leitura mais cativante e me fizeram aguentar a leitura.
Penso que o principal problema está nas personagens, não me cativaram, sobretudo Zeke que é um adolescente de 15 anos, mas ao ler imagino-o como uma criança de 10 ou 11 anos.
O único ponto positivo da narrativa é que o leitor é baralhado sobre quais os personagens que querem ajudar Zeke e Briar e quais os que não querem e sobre quem diz a verdade e quem mente. Foi sem dúvida esse facto que me levou a concluir o livro.
Mas penso que quem gosta de steampunk e zombies poderá gostar deste livro que provavelmente terá uma adaptação para cinema. E que se for bem realizado e produzido o filme poderá ser melhor que o livro.

“O Silo” de Hugh Howley

O Silo“O Silo” foi um dos melhores livros que li, fiquei completamente “enterrado” neste mundo subterrâneo criado por Hugh Howley.

Hugh Howey

Hugh Howey

A ação passa-se num mundo pós apocalíptico em que os seus habitantes são obrigados a viver num silo subterrâneo, mas será mesmo assim!? E é este mistério que torna esta obra cheia de suspense e faz o leitor questionar-se sobre o que se passa no silo. A personagem principal é Julliette uma técnica de manutenção que trabalha no departamento da mecânica, que fica nos pisos mais inferiores do silo. Uma personagem forte fisicamente e mentalmente, cheia de determinação, que questiona as regras do silo.
Senti em muitos momentos o meu ritmo cardíaco aumentar com a intensidade de alguns episódios descritos. “O silo” proporciona-nos bons momentos de suspense enquanto põe o leitor a pensar e o deixa ansioso por querer saber mais sobre o que se passa no seu mundo.woolNa minha opinião para se apreciar a 100% este livro são necessários uns conhecimentos mínimos de mecânica eletrotécnica e informática, o facto de eu possuir esses conhecimentos foi sem dúvida um dos fatores que me levaram a gostar tanto deste livro. Mas recomendo este livro mesmo a quem não possua estes conhecimentos, pois não é o facto de não possuir conhecimentos em mecatrónica que impedirá o leitor de ficar arrebatado por este mundo.

Vejam um pequeno filme sobre “O Silo” http://youtu.be/8-ardca2IAg

A 20th Century Fox comprou os direitos do filme, Ridley Scott mostrou-se interessado na produção do filme e o casting irá arrancar no início do próximo ano. E se tudo correr bem espera-se que o filme seja um dos grandes blockbusters de 2015.

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